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“Com frequência, pensamos que, no amor, encontraríamos a parte que supostamente nos falta, a parte que nos livraria da nossa própria falta, a parte que nos preencheria. No entanto, no amor, o que se experiencia é o contrário. Quando amamos alguém, nossa falta tende a ser duplicada. Ao encontrar um amor, a gente não encontra a parte que nos faltava até então. A gente encontra a metade que fará falta a partir dali. Mira-se no amor, acerta-se na solidão!”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“A gente não ama o outro porque ele é nosso espelho, a gente ama o outro na notícia que ele dá de que há um mundo para além do nosso umbigo. Ter o nosso narcisismo furado é um baita alívio, e, no amor, é disso que se trata.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“É que o outro é sempre outro, especialmente quando é ele mesmo. Aliás, é sobretudo quando o outro é ele mesmo que ele nos interessa, eu diria. Quando a gente tenta ser amado, tenta seduzir, tenta se encaixar naquilo que supõe que o outro gostaria que fôssemos, ficamos ridículos.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Ninguém sai imune da família que tem.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Amor é um misto de bancar a solidão com ter sorte, atravessado por um encanto com um outro que insiste.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“solidão se faz sozinha. Eu a fiz. Porque decidi que era ali que deveria estar sozinha, que ficaria sozinha para escrever livros”. É interessante pensar nessa perspectiva da solidão não como uma condição passiva, em que se é deixado pelo outro, como se não pudéssemos fazer nada diante disso, como se fôssemos mero objeto. “Fazer” a solidão é se colocar de um modo ativo diante dela.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Tendemos a pensar que, quando o amor acaba, encontramos a confirmação de que não houve amor. Assim, talvez relutemos mais do que o necessário para reconhecer o fim do amor, na tentativa de manter a ilusão de que amor não acaba.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Não queremos ser amados apenas pela presença, mas queremos ser amados especialmente pela nossa falta.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Eu leio tudo a partir do amor.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Falamos porque somos sós e precisamos proferir palavras para dar notícias de nós e receber algo do outro – e também falamos justamente porque nos somos insuficientes a nós e queremos nos dirigir ao outro.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Somos uma fábrica de confeccionar fantasias, e rapidamente, num piscar de olhos, tecemos uma fantasia para o outro vestir, até porque ela está já semipronta, digamos. Se nosso furo é redondo, procuramos alguém redondo também. Ainda que encontremos um quadrado, nossa fantasia lixa seus ângulos e acredita que vê um redondo. Quando o outro dá notícias de suas faltas (ou excessos), quando o outro nos dá notícias de que veste a sua pele, e não a fantasia que costuramos para ele, algo cai.
Com a realidade entrando no campo da paixão, dando notícias do outro para além da invenção do apaixonado, a paixão pode se transformar em amor – ou não. Caso uma parte da paixão se mantenha, mesmo apesar da realidade, podemos pensar que algo do amor começa a se constituir. Mas se a realidade pegar a paixão no susto e aniquilá-la, o sujeito se verá sozinho com sua solidão.
Na passagem da paixão ao amor, então, tudo depende da violência ou da delicadeza com a qual a realidade entra. Se ela chega na voadora não há amor, se ela chega de mansinho pode ser que haja. É claro que estou fazendo uma leitura selvagem, porque a violência ou a delicadeza da chegada da percepção da realidade dependerá de como o apaixonado-agora-não-tanto--assim sente e vive isso em sua pele, o que depende não da realidade nua e crua, mas da leitura que cada um faz da realidade.
Freud ensina que a realidade que é determinante para nós é sempre a realidade psíquica. Ou seja, não é tanto o que acontece o que mais importa, mas muito especialmente como o que acontece nos chega. Vemos, com isso, que nunca estamos livres da nossa fantasia, ainda que troquemos uma por outra. Nesse sentido, não é que no amor a fantasia enfraqueça, mas é que no amor a fantasia não é tão rígida assim, e topa ir se moldando ao corpo do outro.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
Com a realidade entrando no campo da paixão, dando notícias do outro para além da invenção do apaixonado, a paixão pode se transformar em amor – ou não. Caso uma parte da paixão se mantenha, mesmo apesar da realidade, podemos pensar que algo do amor começa a se constituir. Mas se a realidade pegar a paixão no susto e aniquilá-la, o sujeito se verá sozinho com sua solidão.
Na passagem da paixão ao amor, então, tudo depende da violência ou da delicadeza com a qual a realidade entra. Se ela chega na voadora não há amor, se ela chega de mansinho pode ser que haja. É claro que estou fazendo uma leitura selvagem, porque a violência ou a delicadeza da chegada da percepção da realidade dependerá de como o apaixonado-agora-não-tanto--assim sente e vive isso em sua pele, o que depende não da realidade nua e crua, mas da leitura que cada um faz da realidade.
Freud ensina que a realidade que é determinante para nós é sempre a realidade psíquica. Ou seja, não é tanto o que acontece o que mais importa, mas muito especialmente como o que acontece nos chega. Vemos, com isso, que nunca estamos livres da nossa fantasia, ainda que troquemos uma por outra. Nesse sentido, não é que no amor a fantasia enfraqueça, mas é que no amor a fantasia não é tão rígida assim, e topa ir se moldando ao corpo do outro.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“No conto “O ovo e a galinha”, Clarice Lispector escreve:9 Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor. Porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. Longe de encontrar glamour no amor, o que encontramos são faltas. Para Freud, amar é perder narcisismo, uma vez que o amante se coloca no lugar daquele que não tem algo, como condição para poder encontrar algo que o interesse no outro. O famoso mito de Narciso, personagem da mitologia grega, conta a história (em uma de suas versões) de um homem que era apaixonado demais por si para amar outra pessoa, o que o levou a se afogar em sua própria imagem. Para Freud, não temos opção: amamos ou adoecemos.10 Não se trata aqui do amor romântico, longe disso, mas especialmente do quanto é o outro quem nos salva de nossa voracidade com a própria imagem.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“O amor por si mesmo só conhece uma barreira: o amor pelos outros, o amor por objetos. Sigmund Freud.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“É preciso que não sejamos tão lúcidos para que possamos aproveitar a vida.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Quando perdemos alguém, então, não perdemos bem esse alguém fora de nós, mas perdemos muito especialmente quem éramos para o outro – e, ainda, a imagem que tínhamos de quem éramos para esse outro.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Se na paixão encontramos aquilo que supostamente queríamos, isso não acontece sem a nossa parte criativa bastante animada. Sim, estou dizendo que nós inventamos a pessoa amada. As lentes da paixão beiram o delírio e nos permitem olhar para o outro com uma gentileza que quase rompe com a realidade. Porque na paixão idealizamos o outro, não a partir dele mesmo, mas a partir daquilo que gostaríamos que ele fosse. Mas, se tudo funciona bem, o outro cai do pedestal que lhe oferecemos e demonstra sua preferência por vestir sua própria pele, em vez da fantasia que costuramos para ele. E é quando algo do outro pode aparecer que temos notícia da falta, que nos traz nossa companhia maior na vida: a solidão.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Perder alguém enquanto se ama esse alguém é perder um alguém”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Não se pode viver sem o vazio, mas tenta-se preencher o vazio com inúmeros objetos do mundo, pois, em sua indagação: “Há algo pior do que estar vazio de vazios?”.”
― Não Pise no Meu Vazio: Ou o Livro do Vazio
― Não Pise no Meu Vazio: Ou o Livro do Vazio
“Ah, se eu não tivesse criado expectativas não teria me frustrado", dizemos ou pensamos. E é bem verdade. Mas será que a gente não resiste à frustração de ver nossas expectativas ruindo?”
― A gente mira no amor e acerta na solidão
― A gente mira no amor e acerta na solidão
“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Em uma psicanálise, aliás, o que se aprende é a dar dignidade aos restos, afinal de contas, é deles que somos feitos.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Se nosso furo é redondo, procuramos alguém redondo também. Ainda que encontremos um quadrado, nossa fantasia lixa seus ângulos e acredita que vê um redondo. Quando o outro dá notícias de suas faltas (ou excessos), quando o outro nos dá notícias de que veste a sua pele, e não a fantasia que costuramos para ele, algo cai.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“No entanto, há quem viva essa solidão como desamparo, com imenso mal-estar, e que assim recue dela, não podendo vivê-la bem. Por consequência, essas pessoas tendem a excluir o outro, a não ficar na paixão e muito menos no amor, na tentativa de se defender do encontro com a solidão que advém do amor.
No isolamento, então, o sujeito manda o outro embora. Às vezes de modo mais sutil, às vezes de modo mais escrachado, às vezes montando fileiras intermináveis de pessoas que manda embora, ainda que possa não reconhecer que faz isso. Uma pessoa pode se tornar insuportável sem perceber e depois se queixar que o outro nunca fica, sempre vai embora. Essa pessoa se faz ficar sozinha. Outros não se envolvem, ou, quando percebem que estão se envolvendo, dão no pé. Talvez muito do que se tem chamado de ghosting (quando um casal começa a se formar e de repente um deles desaparece completamente, sem nenhuma briga, mal-estar compartilhado ou explicação sobre o sumiço) nos dias de hoje tenha relação com esses isolamentos. Com frequência, um dos integrantes do par, diante do enigma do sumiço do outro, ou mesmo do afastamento do outro ali onde se pensava que as coisas estavam indo muito bem para o laço se estreitar, acha que o que viveu não tocou o possível parceiro, quando foi o contrário: podemos fugir justamente de onde nos sentimos tocados em demasia. Amar é um exercício trabalhoso, nem todos estão dispostos a isso.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
No isolamento, então, o sujeito manda o outro embora. Às vezes de modo mais sutil, às vezes de modo mais escrachado, às vezes montando fileiras intermináveis de pessoas que manda embora, ainda que possa não reconhecer que faz isso. Uma pessoa pode se tornar insuportável sem perceber e depois se queixar que o outro nunca fica, sempre vai embora. Essa pessoa se faz ficar sozinha. Outros não se envolvem, ou, quando percebem que estão se envolvendo, dão no pé. Talvez muito do que se tem chamado de ghosting (quando um casal começa a se formar e de repente um deles desaparece completamente, sem nenhuma briga, mal-estar compartilhado ou explicação sobre o sumiço) nos dias de hoje tenha relação com esses isolamentos. Com frequência, um dos integrantes do par, diante do enigma do sumiço do outro, ou mesmo do afastamento do outro ali onde se pensava que as coisas estavam indo muito bem para o laço se estreitar, acha que o que viveu não tocou o possível parceiro, quando foi o contrário: podemos fugir justamente de onde nos sentimos tocados em demasia. Amar é um exercício trabalhoso, nem todos estão dispostos a isso.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Quer motivo maior para falarmos do que amor e solidão? Falamos porque somos sós e precisamos proferir palavras para dar notícias de nós e receber algo do outro – e também falamos justamente porque nos somos insuficientes a nós e queremos nos dirigir ao outro. Então, falar é isso, usar o vazio da boca para pedir algo que não se sabe bem o que é. Quando pedimos alguma coisa, nunca conseguimos alcançar exatamente o que desejamos, porque aquilo que coincidiria exatamente com o buraco do desejo – pasmem! – não existe. Por isso aprendemos em psicanálise que o desejo é sempre insatisfeito, na medida em que satisfazê-lo inteiramente está fora do plano da criação humana. Nesse sentido, o desejo é indestrutível. O objeto que viria a realizá-lo existe apenas no campo da fantasia.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Sem diferença nada existe. De outra maneira, ainda, toda regra tem sua exceção.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“A angústia, no entanto, não é a consequência de uma falta, mas, pelo contrário, é a falta da falta.”
― Não Pise no Meu Vazio: Ou o Livro do Vazio
― Não Pise no Meu Vazio: Ou o Livro do Vazio
“Somos uma fábrica de confeccionar fantasias, e rapidamente, num piscar de olhos, tecemos uma fantasia para o outro vestir, até porque ela já está semipronta, digamos. Se nosso furo é redondo, procuramos alguém redondo também. Ainda que encontremos um quadrado, nossa fantasia lixa seus ângulos e acredita que vê um redondo. Quando o outro dá notícias de suas faltas (ou excessos), quando o outro nos dá notícias de que veste a sua pele, e não a fantasia que costuramos para ele, algo cai.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Difícil não é falar de amor, difícil é parar de falar dele.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Sim, estou dizendo que nós inventamos a pessoa amada. As lentes da paixão beiram o delírio e nos permitem olhar para o outro com uma gentileza que quase rompe com a realidade. Porque na paixão idealizamos o outro, não a partir dele mesmo, mas a partir daquilo que gostaríamos que ele fosse. Mas, se tudo funciona bem, o outro cai do pedestal que lhe oferecemos e demonstra sua preferência por vestir sua própria pele, em vez da fantasia que costuramos para ele.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
“Vivemos um tempo em que queremos tudo para antes de ontem, em que vivemos o período de espera como crise de ansiedade. [...] sem fazer nascer intervalos, tudo que encontramos corre o risco de ser puro desencontro. [...] A paixão combina com o nosso ritmo frenético e ensimesmado de vida, porque é, também, frenética e narcísica [...] porque tudo é demais e, como tudo que é demais, não há força para durar demais. [...] Paixão é gozo." "É só quando acaba, que sabemos se a coisa vai andar, se vai, ou não, se transformar em amor." "[...] nós inventamos a pessoa amada. As lentes da paixão beiram o delírio e nos permitem olhar para o outro com uma gentileza que quase rompe com a realidade, porque, na paixão, idealizamos o outro, não a partir dele mesmo, mas a partir daquilo que gostaríamos que ele fosse. Mas se tudo funciona bem, o outro cai do pedestal que lhe oferecemos e demonstra sua preferência por vestir a própria pele ao invés da fantasia que costuramos para ele.”
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão
― A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão




