Mauricio Lyrio

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Mauricio Lyrio

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Rio de Janeiro, Brazil
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January 2014


Autor de "Memória da pedra" (2013) e "O imortal" (2018), romances publicados pela editora Companhia das Letras.
"Memória da pedra" recebeu Menção Honrosa no Prêmio SESC de Literatura e o segundo lugar no prêmio José de Alencar da União Brasileira dos Escritores.
"O imortal" foi finalista do Prêmio Oceanos e do Prêmio São Paulo.
E-mail: maulyrio@yahoo.com
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Average rating: 4.23 · 31 ratings · 3 reviews · 5 distinct works
Memória da Pedra

really liked it 4.00 avg rating — 16 ratings — published 2013 — 3 editions
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O imortal

4.46 avg rating — 13 ratings2 editions
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O G20

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it was amazing 5.00 avg rating — 1 rating — published 2024
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really liked it 4.00 avg rating — 1 rating — published 2010
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Merquior y México: una anto...

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0.00 avg rating — 0 ratings — published 2023
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Voss

Dizer que um romance é sobre a busca do inapreensível soa clichê, já que a carapuça é larga e ajusta-se a muitos, mas no caso de “Voss”, escrito em 1957 pelo australiano vencedor do Nobel (1973) Patrick White, a afirmação parece exata: White escreveu um formidável romance expressamente sobre a busca do que não se pode alcançar.

Johann Ulrich Voss é um alemão na Austrália semivirgem do século XIX,

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Published on May 09, 2021 17:55

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Quotes by Mauricio Lyrio  (?)
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“Tenho um passado cada vez mais extenso e tênue. Talvez a vida não seja mais do que isso: um elástico que se estica aos poucos e, apesar dos desejos de retorno, segue alongando-se e afinando-se até arrebentar. As lembranças são muitas e conversam entre si, há mais conexões possíveis, mas os sinais são cada vez mais distantes, inaudíveis, e incidem de forma preguiçosa sobre o presente. Não é agradável administrar um passado mais extenso que o futuro que se tem pela frente. O que carrego hoje de mais vital e concreto, e parece varrer todo um passado de lições – casamentos, filhos, crises, desilusões – é uma paixão adolescente na maturidade e o desejo de reconstruir algo que não reconheço.”
Mauricio Lyrio, O imortal

“Escurecia rápido, o navio afastava-se do poente. A lembrança da sombra no rosto de Marina tornava mais fácil aceitar a morte. Uma fita triangular de navegação tremulava no meio de uma corda tesa, gorda do vento, como uma língua de réptil. O corpo estava frio, sem pulso nem sinal algum, completamente largado sobre o seu. Já não havia quem observasse o pôr do sol, não havia o que olhar, apenas uma faixa de luz parda que se diluía sobre o horizonte, cada vez mais turva, indistinta do oceano. Completava-se o abandono lento em seus braços, sob o sorriso da portuguesa enternecida pelo aconchego da moça no ombro do marido. Era a suavidade da morte pública e despercebida.
Ele tentava olhar adiante. Teria sido outra história se Marina tivesse se jogado ao mar. Cinquenta, sessenta, setenta metros de altura. Ele teria que se jogar também, arriscar a vida para ter o que enterrar, e iria junto, ninguém mergulha de um navio supondo que sobrevive, muito menos que salvará alguém. Se tivesse que se matar, haveria de ser como um prazer, o prazer que em vida lhe era torto. Deixaria o corpo boiar sobre o oceano, sem peso, ao sabor das correntes, o sono mais pesado e completo que alguém já teve. Talvez o prazer de jogar o corpo no vazio fosse ainda maior. Deixaria o ar limpar os pulmões e os pensamentos, purificar a vida que ficava para trás, no alto da amurada. Seria outro por um lapso, não haveria tempo para pensar no impacto. Talvez o mar restaurasse o sono, a onda fria embalasse as costas, o oceano como o único lugar em que os insones não são insones, embora lhes falte imaginação para sabê-lo. Tinha a impressão de que nunca mais adormeceria, enquanto ela dormiria para sempre, egoísta no sono final, a soberba daquele que reaprende a dormir e deixa o outro na vigília. Teria sido pior se ela tivesse esperado a volta para se matar. Ele aguentaria a náusea de cada milha. Agora podia abandonar o barco. Nada de Ilhas Canárias, Cádiz, Sevilha, nada do balanço que o torturava no convés ou na cabine. Olhava a distância em direção à noite e via o corpo desembarcar em Cabo Verde, sobrevoar o mar até Lisboa, voltar ao Brasil sobre o mesmo mar, as mesmas ilhas escassas do Atlântico. Dois, três dias com o corpo frio e rígido, rigor mortis, velava-o pelos ares, um fardo em plena leveza de nuvens, a dor que alçava ao sol dentro de um saco impermeável, um caixote de metal. Estariam no céu, um corpo que apodrece, um homem que chora, um amor que já não é mais.
Alguém se aproximou, parou ao lado da amurada. O uniforme branco e impecável usado pelos tripulantes, certa familiaridade de hospital.
— Preciso da sua ajuda.
— What can I do for you, sir?
— Minha mulher está morta.”
Mauricio Lyrio, Memória da Pedra

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