Portuguese Author Quotes

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Rodrigo Guedes de Carvalho
“O problema dos segredos é que não são biodegradáveis. São garrafões de plástico, são pilhas alcalinas. Enterrem-nos hoje e ide lá abrir a cova daqui a cem anos. Lá estarão, a olhar-nos como no primeiro dia.”
Rodrigo Guedes de Carvalho, Jogos de Raiva

Susana Sousa
“- Primeira lição sobre liderança, uma rainha nunca baixa a cabeça perante outro rei enquanto pede um favor. Tu és minha rainha, podes simplesmente manda-me fazer o que quiseres, no entanto, vieste pedir, e por isso mesmo vou ajudar-te.”
Susana Sousa, O Renascer

Susana Sousa
“- A ligação funciona como um íman, os deuses ligam duas almas e o Destino encarrega-se de colocar essas duas almas no mesmo caminho.”
Susana Sousa, O Renascer

Susana Sousa
“Enquanto saboreava cada bocado, os meus ouvidos captavam a melodia dos pássaros, que transformavam o ar numa doce serenata.”
Susana Sousa, O Renascer

Sara Marinho
“«(...) as minhas pernas não se mexem e
eu fico petrificado a vê-la ir-se embora, sem um adeus, sem uma despedida.
Os nossos olhares cruzam-se por breves
momentos, antes de ela desviar o seu e se
afastar na direção contrária, rumo ao
portão de saída da escola.
Há olhares que são como despedidas,
como beijos trocados em silêncio e à distância.
E esta seria, provavelmente, a última vez
que a veria.
Talvez para o resto da minha vida.»”
Sara Marinho, O que o Tempo Não Apaga

Sara Marinho
“«Olho para ele, para o meu primeiro amor, o meu melhor amigo, o meu
confidente, o amor da minha vida. O meu tudo.
Até me ter abandonado e desfeito o meu coração em pedaços.»”
Sara Marinho, O que o Tempo Não Apaga

Sara Marinho
“«Acredito que as cartas podem ter um poder maior do que as palavras ditas, porque essas são mais propícias ao esquecimento, enquanto uma carta pode ser lida e recordada toda a vida.»”
Sara Marinho, O que o Tempo Não Apaga

Sara Marinho
“«Estou plenamente convicto do que lhe digo, porque tenho quinze anos e aos quinze anos tudo o que sabemos parece verdadeiro, derradeiro, indiscutível, incontestável. Julgamo-nos melhores e mais sábios do que qualquer adulto e não admitimos qualquer intromissão nos nossos ideais.»”
Sara Marinho, O que o Tempo Não Apaga

Vanessa Barroca dos Reis
“Assisti a tudo, gotas de suor formando-se na testa. Queria dizer para pararem, mas não tinha voz. Estava emudecida, os meus dedos procurando em vão uma fenda que já não existia. Senti lágrimas nos olhos quando vi a explosão no ecrã. Fechei os olhos por momentos, e, mesmo assim, vi crianças que morriam queimadas nas ruas estreitas onde brincavam, ruas paralelas à da imagem inicial; as mães, arranhando a própria cara, que gritavam pelos filhos que não mais iriam ver; velhos esfarrapados, a boca aberta num grito perante os pedaços de corpos humanos e animais, emaranhados no fim. Vi um edifício explodir, fragmentos pesados em todas as direcções, acertando em formigas de movimentos velozes. Só que não eram formigas! Onde estava a compaixão? A empatia? E o cumprimento das convenções assinadas, das regras?”
Vanessa Barroca dos Reis, Sangue: uma antologia portuguesa

Vanessa Barroca dos Reis
“Aquela era uma noite de arrependimentos.
Reclinada no banco do carro, a cabeça pendente para o lado do vidro entreaberto, a cheirar a vómito e a sentir-se mais para lá do que para cá, Anabela só queria chegar a casa e deslizar para o vale dos lençóis envolta num pijama de flanela.
Pegou no telemóvel e ligou a quem lhe pudesse valer. A operadora atendeu logo, relembrou que a linha era apenas para emergências e transferiu a chamada, quase sem dar tempo a Anabela, ocupada que estava em suprimir um arroto amargo, de lhe agradecer.
– Boa noite, fala o piquete – disse uma voz masculina num tom neutro.
– Ai, a minha cabeça... boa noite.
Depois de uns segundos de silêncio, a voz do outro lado, mantendo o tom:
– Fala o agente Nogueira, o piquete da noite. Posso ajudar?
– Err, não está por aí uma senhora, hmm, uma senhora agente, por acaso?
– Não.
– Ah pois, é que, sabe... fui jantar fora e já não o fazia há muito tempo, e... – Uma náusea fê-la parar. Passou a mão pela testa, que estava quente, e sentiu o peganhento do óleo do stripper, um cheiro enjoativo adocicado, que a fez limpar as mãos à bainha do vestido.”
Vanessa Barroca dos Reis, Des/pudor: Uma Antologia Portuguesa