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Marcela Perillo

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Yesteryear
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  (page 106 of 400)
"Smirking through every page" Sep 03, 2026 02:56PM

 
El fin del amor: ...
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Valter Hugo Mãe
“Deve nutrir-se carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade, repetiu muito seguro. Apenas isso. Nunca cultivar a dor, mas lembrá-la com respeito, por ter sido indutora de uma melhoria, por melhorar quem se é. Se assim for, não é necessário voltar atrás. A aprendizagem estará feita e o caminho livre para que a dor não se repita.”
valter hugo mãe, O Filho de Mil Homens

Alejandro Zambra
“The day you were born was the happiest day of my life, but I was so nervous that I don’t know if happiness is really the best word to describe what I felt. I think it is my obligation to tell you, in spite of the absolute love I have always felt for you, in spite of how much you have brightened my life, and I assume your mother’s as well—I haven’t seen her in around ten years now, but I’m sure that for her as well you have been a constant source of happiness—in spite of all that, I have to tell you that during the eighteen years you’ve now been alive, I’ve never stopped wondering what my life would have been like if you had never been born.

It’s an overwhelming thought, an exit that leads to the darkest of nights, to the most complete blackness, but also to shadow and sometimes, slowly, toward something like a clearing in the woods. These fantasies are normal, but it’s not so common for parents to confess them. For example, over the years I have thought thousands of times that if you hadn’t been born I would have needed less money, or could have disappeared for weeks on end without worrying about anyone. I could have prolonged my youth for several more years. I could have even killed myself. I mean, the first consequence of your birth was that from then on, I could never kill myself.”
Alejandro Zambra, Multiple Choice

Valter Hugo Mãe
“eu estou bem, dizia-lhe, estou bem. e ele queria saber se estar bem era andar de trombas. eu respondi que o tempo não era linear. preparem-se sofredores do mundo, o tempo não é linear. o tempo vicia-se em ciclos que obedecem a lógicas distintas e que se vão sucedendo uns aos outros repondo o sofredor, e qualquer outro indivíduo, novamente num certo ponto de partida. é fácil de entender. quando queremos que o tempo nos faça fugir de alguma coisa, de um acontecimento, inicialmente contamos os dias, às vezes até as horas, e depois chegam as semanas triunfais e os largos meses e depois os didáticos anos. mas para chegarmos aí temos de sentir o tempo também de outro modo. perdemos alguém, e temos de superar o primeiro inverno a sós, e a primeira primavera e depois o primeiro verão, e o primeiro outono. e dentro disso, é preciso que superemos os nossos aniversário, tudo quanto dá direito a parabéns a você, as datas da relação, o natal, a mudança dos anos, até a época dos morangos, o magusto, as chuvas de molha-tolos, o primeiro passo de um neto, o regresso de um satélite à terra, a queda de mais um avião, as notícias sobre o brasil, enfim, tudo. e também é preciso superar a primeira saída de carro a sós. o primeiro telefonema que não pode ser feito para aquela pessoa. a primeira viagem que fazemos sem a sua companhia. os lençóis que mudamos pela primeira vez. as janelas que abrimos. a sopa que preparamos para comermos sem mais ninguém. o telejornal que já não comentamos. um livro que se lê em absoluto silêncio. o tempo guarda cápsulas indestrutíveis porque, por mais dias que se sucedam, sempre chegamos a um ponto onde voltamos atrás, a um início qualquer, para fazer pela primeira vez alguma coisa que nos vai dilacerar impiedosamente porque nessa cápsula se injeta também a nitidez do quanto amávamos quem perdemos, a nitidez do seu rosto, que por vezes se perde mas ressurge sempre nessas alturas, até o timbre da sua voz, chamando o nosso nome, ou mais cruel ainda, dizendo que nos ama com um riso incrível pelo qual nos havíamos justificado em mil ocasiões no mundo.”
valter hugo mãe, A máquina de fazer espanhóis

Valter Hugo Mãe
“eu acabara de aprender que a vida tem de ser mais à deriva, mais ao acaso, porque quem se guarda de tudo foge de tudo.”
Valter Hugo Mãe, A máquina de fazer espanhóis

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“I’m a free spirit who never had the balls to be free.”
Cheryl Strayed, Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail

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