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On Earth and in Hell: Early Poems by
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Luís
is on page 239 of 251
No jardim da minha mãe
o meu ancinho junta as estrelas
que caíram enquanto eu cá não estive.
A noite está quente e os meus membros
exalam a proveniência verde,
flores e folhas,
o grito do melro e o bater do tear.
No jardim da minha mãe
piso, descalço, as cabeças das cobras
que avançam, a espreitar, pelo portão ferrugento
com línguas de fogo.
— Dec 19, 2021 07:15AM
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o meu ancinho junta as estrelas
que caíram enquanto eu cá não estive.
A noite está quente e os meus membros
exalam a proveniência verde,
flores e folhas,
o grito do melro e o bater do tear.
No jardim da minha mãe
piso, descalço, as cabeças das cobras
que avançam, a espreitar, pelo portão ferrugento
com línguas de fogo.
Luís
is on page 225 of 251
O dia despe a sua camisa.
Sobe, nu, para o canteiro do jardim
e chama a si os pássaros.
Nas poças negras
fica agachado o seu rosto vermelho,
que os camponeses despedaçaram.
A erva crava lanças de sombra
no meu cérebro ...
Na janela vizinha
está pousado um pássaro
como se fosse o guarda dos meus pensamentos,
até que o rude sono
me descalce os sapatos molhados.
— Dec 19, 2021 06:15AM
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Sobe, nu, para o canteiro do jardim
e chama a si os pássaros.
Nas poças negras
fica agachado o seu rosto vermelho,
que os camponeses despedaçaram.
A erva crava lanças de sombra
no meu cérebro ...
Na janela vizinha
está pousado um pássaro
como se fosse o guarda dos meus pensamentos,
até que o rude sono
me descalce os sapatos molhados.
Luís
is on page 207 of 251
Os campos
não aceitam o meu nome,
os prados devolvem a minha vida
às cidades;
as árvores recolhem as raízes,
os ribeiros fecham a boca,
quando eu vou à aldeia,
à sepultura da minha mãe.
Ninguém me dá a caneca de cerveja
e me diz que a beba,
ninguém abre a sua cama
para mim.
Ah, se soubessem como
eu tenho frio!
Nas florestas e
por trás da casa
acusam-me de mentir.
— Dec 19, 2021 05:00AM
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não aceitam o meu nome,
os prados devolvem a minha vida
às cidades;
as árvores recolhem as raízes,
os ribeiros fecham a boca,
quando eu vou à aldeia,
à sepultura da minha mãe.
Ninguém me dá a caneca de cerveja
e me diz que a beba,
ninguém abre a sua cama
para mim.
Ah, se soubessem como
eu tenho frio!
Nas florestas e
por trás da casa
acusam-me de mentir.
Luís
is on page 189 of 251
(...)
Procuramos os mortos
debaixo da erva e estendemos os dedos
e não achamos sossego, nem amanhã, nem depois de amanhã,
nem debaixo da árvore, nem por trás das colinas,
nem por azinhagas solitárias,
onde se sente o hálito do último vento de Março.
— Dec 19, 2021 03:19AM
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Procuramos os mortos
debaixo da erva e estendemos os dedos
e não achamos sossego, nem amanhã, nem depois de amanhã,
nem debaixo da árvore, nem por trás das colinas,
nem por azinhagas solitárias,
onde se sente o hálito do último vento de Março.
Luís
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«O mar é grande, inesgotáveis são também os desertos,
e não se sofre melhor longe destes lugares ...?»
Há já muito que não vivo da minha taberna.
Pai, mãe ficaram só como templo. O mundo
que inventei sustenta-me,
ainda que os versos e os restos da carne
tratem de pão e regresso, de vinho e fertilidades.
— Dec 19, 2021 01:38AM
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e não se sofre melhor longe destes lugares ...?»
Há já muito que não vivo da minha taberna.
Pai, mãe ficaram só como templo. O mundo
que inventei sustenta-me,
ainda que os versos e os restos da carne
tratem de pão e regresso, de vinho e fertilidades.
Luís
is on page 147 of 251
Faz com que eu conheça
todos os peixes do mar
e todas as crianças da Terra
e saboreie o odor da manhã
e o odor da tarde.
Quero ouvir a linguagem dos peixes
e a linguagem do vento,
que se assemelha à linguagem dos anjos.
Quero ouvir a voz
da efemeridade!
Todas as vozes são as vozes da efemeridade.
Todas as vozes que alguma vez se ouviram.
Todas cantam efemeridade.
Tu também cantas efemeridade.
— Dec 19, 2021 12:46AM
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todos os peixes do mar
e todas as crianças da Terra
e saboreie o odor da manhã
e o odor da tarde.
Quero ouvir a linguagem dos peixes
e a linguagem do vento,
que se assemelha à linguagem dos anjos.
Quero ouvir a voz
da efemeridade!
Todas as vozes são as vozes da efemeridade.
Todas as vozes que alguma vez se ouviram.
Todas cantam efemeridade.
Tu também cantas efemeridade.
Luís
is on page 127 of 251
A noite treme diante da janela e quer trespassar-me o coração,
gritando os nomes que eu infamei.
Oh, esses nomes que em cada cruz estão gravados e conspurcam o meu trabalho diário.
Sei que me hei-de levantar e destruir a minha cama
e com a cama os sonhos que cresceram no meu cabelo para setenta anos.
(...)
— Dec 18, 2021 03:04PM
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gritando os nomes que eu infamei.
Oh, esses nomes que em cada cruz estão gravados e conspurcam o meu trabalho diário.
Sei que me hei-de levantar e destruir a minha cama
e com a cama os sonhos que cresceram no meu cabelo para setenta anos.
(...)
Luís
is on page 109 of 251
Lá em baixo encontra-se a cidade,
tu não precisas de voltar,
porque o seu cadáver está coberto de flores
Amanhã há-de falar o rio.
Os montes, vagos, mal se conseguem divisar,
mas a Primavera traz já muito tarde as suas cores.
Lá em baixo encontra-se a cidade.
Nunca na memória os nomes te ficaram.
Dos bosques corre o vinho negro e denso.
(...)
— Dec 18, 2021 12:45PM
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tu não precisas de voltar,
porque o seu cadáver está coberto de flores
Amanhã há-de falar o rio.
Os montes, vagos, mal se conseguem divisar,
mas a Primavera traz já muito tarde as suas cores.
Lá em baixo encontra-se a cidade.
Nunca na memória os nomes te ficaram.
Dos bosques corre o vinho negro e denso.
(...)
Luís
is on page 99 of 251
(...)
Não posso dormir, porque o circo veio parar
em frente da minha janela e muita gente acorre em alvoroço! Quero
esquecer
toda essa gente, porque a minha fome é grande ... e me faz regressar a
um país
que ainda ninguém viu, um país de verdes e soluçantes madrugadas,
um país que tem o meu nome,
uma manhã sem destruição ...
— Dec 18, 2021 06:52AM
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Não posso dormir, porque o circo veio parar
em frente da minha janela e muita gente acorre em alvoroço! Quero
esquecer
toda essa gente, porque a minha fome é grande ... e me faz regressar a
um país
que ainda ninguém viu, um país de verdes e soluçantes madrugadas,
um país que tem o meu nome,
uma manhã sem destruição ...
Luís
is on page 77 of 251
(...)
Maquinarias! Os sinos mutilados dos teatros da guerra ...»
que anestesiam o nosso cérebro,
um serão que da noite goteja e sonha com encostas verdes que
soçobram,
com carros que transportam batatas,
um serão que para a solidão te impele,
para debaixo dos fracos membros,
para os jogos cegos da dor,
onde aos vícios a fome vai marcando o compasso ...
— Dec 18, 2021 06:18AM
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Maquinarias! Os sinos mutilados dos teatros da guerra ...»
que anestesiam o nosso cérebro,
um serão que da noite goteja e sonha com encostas verdes que
soçobram,
com carros que transportam batatas,
um serão que para a solidão te impele,
para debaixo dos fracos membros,
para os jogos cegos da dor,
onde aos vícios a fome vai marcando o compasso ...
Luís
is on page 53 of 251
O corvo grasna.
Por ele fui preso.
No seu grasnar tenho sempre
de errar pelo país.
O corvo grasna.
Por ele fui preso.
Ontem, pousado no campo, tremia de frio
e o meu coração com ele.
O meu coração está cada vez mais negro,
porque de asas negras se encontra
coberto.
— Dec 18, 2021 05:17AM
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Por ele fui preso.
No seu grasnar tenho sempre
de errar pelo país.
O corvo grasna.
Por ele fui preso.
Ontem, pousado no campo, tremia de frio
e o meu coração com ele.
O meu coração está cada vez mais negro,
porque de asas negras se encontra
coberto.
Luís
is on page 37 of 251
(...)
Indigno sou ainda do melro, indigno do ranger da roda do moinho,
indigno faço o meu jogo nas margens do rio,
que das aldeias nada quer saber.
Sou indigno destas almas que, em nuvens e moitas,
falam umas às outras da terra em flor,
da música que o céu moribundo entoa,
dos grandes abandonos, a deslizar sobre as colinas,
precedendo, impacientes, procelosos invernos do mundo.
— Dec 18, 2021 03:50AM
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Indigno sou ainda do melro, indigno do ranger da roda do moinho,
indigno faço o meu jogo nas margens do rio,
que das aldeias nada quer saber.
Sou indigno destas almas que, em nuvens e moitas,
falam umas às outras da terra em flor,
da música que o céu moribundo entoa,
dos grandes abandonos, a deslizar sobre as colinas,
precedendo, impacientes, procelosos invernos do mundo.










