Paula Mota’s Reviews > Labor > Status Update
Paula Mota
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"Não tenho dinheiro, mas não posso dizer que sou pobre - se o faço, há sempre alguém que me lembra que ser pobre é outra coisa. A Carolina Maria de Jesus era pobre - eu sou só uma rapariga que não consegue comprar uns All Star.
— Oct 20, 2026 07:25AM
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Paula’s Previous Updates
Paula Mota
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"O tempo das mulheres, há séculos dividido assim:a idade da menarca, os dias do ciclo, as semanas de gestação, as horas do parto, a menopausa. Uma vida de regras. Quando uma mulher descobre que está grávida, o tempo é um elemento crucial. Na gravidez, corpo e tempo não se distinguem, são a mesma coisa. Se a rapariga quer abortar, o embrião é uma bomba-relógio. É preciso correr, desactivar o dispositivo, cortar o fio.
— 8 hours, 9 min ago
Paula Mota
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"Numa carta dirigida a Susan Koppelman,Joanna Russ refere uma jovem feminista perguntando onde está a raiva dela.E acrescenta: acho que,daqui em diante, não vou confiar em ninguém que não esteja zangado(..)Gostava que esse texto virasse as palavras ao contrário,que as pusesse a arder. Onde está a minha zanga e a minha força?(..)Se eu bater nas teclas com mais força,poderão as minhas palavras troar,ao invés de zumbir?
— Oct 21, 2026 02:37AM
Paula Mota
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"Há muitas vezes um abismo entre mim e as minhas amigas que não são mães, um abismo constituído pela diferença que é ser na própria vida uma personagem secundária. Ser mãe é andar em círculo. Enquanto a vida das minhas amigas prossegue em linha recta, eu ando às voltas nos dias.
— Oct 19, 2026 11:44PM
Paula Mota
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"O que fica do que fiz pelo corpo do meu filho é o corpo do meu filho. (..) Agora que é adulto, o resultado dos meus esforços é amiúde equívoco. Entregue a si mesmo, o meu filho não presta à saúde os cuidados que eu prestaria, se mandasse. As palavras que usa para se descrever a si mesmo e à sua vida confundem-me, porque não tenho a certeza de ter sido eu a escrevê-las.
— Oct 18, 2026 11:28AM
Paula Mota
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"Muitas vezes, chego ao fim do dia sem me ter comprometido com um único momento, como se o dia tivesse sido a tentativa de adiar o dia. Tudo me distrai da pessoa que quero ser.
— Oct 17, 2026 03:57AM
Paula Mota
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"O problema do trabalho não era o que eu tinha de fazer, mas o que ele me ia fazendo a mim; não era a dificuldade de qualquer tarefa, ou o seu desinteresse, ou a sua imoralidade, mas o modo como todas essas tarefas, as minhas tarefas, me separavam, não apenas dos outros, mas de mim.
— Oct 16, 2026 07:33AM
Paula Mota
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"Foram os rapazes quem primeiro me fez pensar no trabalho. Invejava tudo o que lhes censurava: despertares vagarosos, a meio da manhã, a uma 4a.-feira (..); o lustro das palavras com que encobriam as suas faltas; a certeza de não terem nas coisas do mundo qualquer papel. (..) Ser despachada, responsável (..) não eram senão fraquezas."
[Como diz a canção "Como é que lhe dás? Dou-lhe com a alma." Grande leitura!]
— Oct 16, 2026 02:57AM
[Como diz a canção "Como é que lhe dás? Dou-lhe com a alma." Grande leitura!]
Paula Mota
is 30% done
"De todos os problemas que uma mãe sozinha pode ter, o da interrupção é talvez o mais difícil de tratar. Encontro-o em todos os cadernos, a sua mensagem mais clara do que as palavras que o cercam. No relatório, o psicólogo da junta de freguesia tinha escrito: a mãe aparece no desenho, mas distante, a ler. Quanto de mim teria de ser entregue, de que faltaria ainda prescindir?
— Oct 15, 2026 09:20AM
Paula Mota
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Dizem que o pessoal é político, mas, se não pudermos sair do trajecto que vai de casa para o infantário, do infantário para o trabalho, do trabalho para o supermercado, do supermercado para o infantário e daí outra vez para casa, o que há de político na nossa solidão? Na minha vida, o pessoal era pessoal.
[Ainda assim, diria que há algo de político nisso]
— Oct 15, 2026 04:46AM
[Ainda assim, diria que há algo de político nisso]

