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Paula Mota
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A RAPARIGA NO SEMÁFORO

Tens a mesma idade que eu tinha
quando comecei a sonhar com encontrar-te.
Então não sabia, tal como tu
não aprendeste ainda, que um dia
o amor seria esta arma carregada
de solidão e de melancolia
que agora aponta para ti desde os meus olhos.
És a rapariga que procurei
tanto tempo quando ainda não existias.
E eu sou aquele homem para o qual
quererás um dia dirigir os teus passos.
(...)
Dec 27, 2020 09:50AM
Misteriosamente Feliz

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Paula Mota
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MULHER FAZENDO AS UNHAS

Enfia os dedos na água
e pensa nas carícias que fizeram.
Mas a água arrefece pouco a pouco,
é como as palavras
que a abrigaram e deixaram só.

O apego à vida acaba muito antes
do que supõem os jovens.

Tudo arrefece, e precisamos
deste cansaço de termos amado.
Para desejarmos o que já se vi aproximando.
Tão diferente.
Feb 11, 2021 04:44PM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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POESIA

Como para Sísifo,
a vida para mim é esta rocha.
Carrego-a e conduzo-a até ao alto.
Quando cai volto a apanhá-la
e tomando-a entre os braços,
levanto-a outra vez.
É uma forma de esperança.
Penso que teria sido mais triste
se não tivesse podido arrastar uma pedra
sem outro motivo que não fosse o amor.
Levá-la por amor até ao alto.
Feb 07, 2021 11:29AM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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E de súbito a casa é demasiado grande.
A tua mãe e eu esvaziamos os teus armários
(...)
De noite, à luz eléctrica, os espelhos
exibem com mais nitidez o teu vazio.
Os móveis são agora mais escuros
e pelas escadas descem
o cálido corrimão, que ainda recorda
a tua mão pequena, e os degraus
que ainda sentem a pressão dos teus passos.
A casa, grande e vazia, olha e olha
o seu próprio silêncio.
Jan 16, 2021 12:28PM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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Diante das janelas abertas para o pátio,
ele dormia na poltrona,
junto ao sofá onde ela repousava.
O rosto da rapariga, endurecido pela morfina,
fora deixando o seu sorriso
nas fotografias.
Em anoitecendo, levava-a ao andar de cima,
trocava os postigos, deitava-a na cama.

Perante o sofá vazio apercebia-se
de que não lhe restariam memórias suficientes.
Que já não lhe restariam memórias suficientes
para simular a vida
Jan 09, 2021 05:41PM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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OS OLHOS NO RETROVISOR

(...)
E quando me olho no retrovisor,
os olhos que vejo não são fáceis de reconhecer,
porque neles brilha o amor deixado
por tantos olhares, e a luz, e a sombra
de tudo quanto vi, e a paz que reflecte
a tua lentidão, que está dentro de mim.
É tão grande a riqueza que não me parece
que possam ser meus estes olhos no espelho.
Dec 17, 2020 04:42AM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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AO LEITOR

Tuas serão as mulheres que amei
e que nunca perdi, apesar do vento
cruel dos anos, e teu será o enigma
da ilha do tesouro.
Os teus olhos serão meus por um instante
e, em troca de deixar que escutes nos vidros
a chuva que agora escuto, e de fazer-te cúmplice
do meu futuro, que poderás conhecer,
não permitirás que morra e, certa tarde,
deixar-me-ás ser tu em outra chuva.
Dec 10, 2020 12:47PM
Misteriosamente Feliz


Paula Mota
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POEMA PARA UM FRISO
Era um desenho num papel tão fino
que o levou o vento. Da janela
mais alta até tão longe, ruas, o mar:
o tempo que não recuperarei.
Procurei-o nas praias, no Inverno,
quando mais se lamenta um desenho perdido.
Segui os caminhos de todos os ventos.
Era o desenho a lápis de uma rapariga
Meu Deus, como o procurei,

Obrigada, Celeste. O Natal este ano é a 5 e não a 25!
Dec 05, 2020 03:16AM
Misteriosamente Feliz


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