Depressão Quotes

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Charlotte Perkins Gilman
“Ele disse que, com o poder de imaginação que tenho e meu hábito de inventar histórias, uma debilidade dos nervos como a minha só pode resultar em fantasias exaltadas, e que devo usar minha força de vontade e meu bom senso para controlar essa propensão.”
Charlotte Perkins Gilman, O papel de parede amarelo e outras histórias

Charlotte Perkins Gilman
“Ele disse que, com o poder de imaginação que tenho e minha rotina de inventar histórias, uma debilidade dos nervos como a minha só pode resultar em fantasias, e que devo usar minha força de vontade e meu bom senso para controlar essa propensão”
Charlotte Perkins Gilman, O papel de parede amarelo e outras histórias

Abhijit Naskar
“Conscientizar sobre saúde mental não significa combater o estresse, ansiedade, depressão e outros problemas cotidianos de saúde mental, mas sim modular conscientemente os hábitos que intensificam esses problemas. Assim que estiver no controle de seus hábitos, em vez de controlá-los, você estará automaticamente em uma forma muito melhor, tanto mental quanto fisicamente.”
Abhijit Naskar

Juan-David Nasio
“Histérico com sintomas: Se a pessoa pré-depressiva sofreu um trauma infantil de abuso sexual ou de ternura invasiva e excessivamente sensual, pode sofrer mais tarde de uma neurose histérica. Neurose caracterizada por: hipersensibilidade à menor recusa, vivenciada como intolerável Frustração; erotização de tudo que não seja genital (sentimentos, pensamentos, corpos e ação) e repulsa ao que é genital (coito); e uma grande expressividade somática que deixa aflorar os conflitos inconscientes sob a forma de distúrbios físicos. A presença de um ou outro desses sintomas histéricos anuncia a ocorrência provável de uma depressão.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Herta Müller
“Os varredores de rua estão trabalhando. Eles varrem as lâmpadas, varrem as ruas para fora da cidade, varrem o morar das casas, me varrem os pensamentos da cabeça, me varrem de uma perna para outra, me varrem os passos do andar.”
Herta Müller, Dépressions

Luiz Schwarcz
“A depressão apaga a lembrança remota, tem memória curta, acentua a dor recente, quase desprezando qualquer traço de história”
Luiz Schwarcz

Bernardo E. Lopes
“Antes de pegar um cadeira aquela noite, ele se agarrou à jiboia contorcida de um tronco de sua jabuticabeira favorita, fincou os pés descalços no chão de terra [...] e ali rezou, pedindo a Deus, como através de um sistema de comunicação da Natureza, para que o livrasse do medo, do pânico, da angústia, dos pensamentos ruins, para que protegesse a ele, à sua família, a seu querido noivo e à sua respectiva família, e para que voltasse a sentir a vida fora da cadeia de seus pensamentos, que sentisse o todo, que se sentisse parte.”
Bernardo E. Lopes, Debutante

Gilles Lipovetsky
“O progresso das Luzes e o da felicidade não andam no mesmo passo; a euforia da moda tem como complemento o abandono, a depressão, a perturbação existencial. Há mais estimulações de todo gênero, mas mais inquietude de viver; há mais autonomia privada, mas mais crises íntimas. Tal é a grandeza da moda, que remete sempre mais o indivíduo para si mesmo; tal é a miséria da moda, que nos torna cada vez mais problemáticos para nós mesmos e para os outros.”
Gilles Lipovetsky, The Empire of Fashion by Gilles Lipovetsky

Nathan Filer
“A doença mental vira as pessoas para dentro. É o que eu acho. Mantém-nos presos eternamente no sofrimento das nossas próprias mentes, da mesma maneira que a dor duma perna partida ou dum dedo cortado se apodera da nossa atenção, agarrando-a com tanta força que a perna boa ou o polegar inteiro parecem deixar de existir.”
Nathan Filer, The Shock of the Fall

Daniel Goleman
“A negatividade foca-nos num âmbito estreito – aquilo que nos perturba. Uma regra empírica na terapia cognitiva defende que focarmo-nos nos aspetos negativos da experiência é uma receita para a depressão.”
Daniel Goleman, Focus: The Hidden Driver of Excellence

Abhijit Naskar
“A dor do amor é a pérola do amor.”
Abhijit Naskar, Monge Cientista

Ana Cláudia Dâmaso
“Não se esqueçam de uma coisa: vocês são vocês, e as outras pessoas, são as outras pessoas. Cada um tem um modo de pensar, uma personalidade, infância e ambiente de crescimento diferente. Não podemos julgar ou tirar conclusões sem pensar em metermo-nos na pele do outro.”
Ana Cláudia Dâmaso, Não Vales Nada

Ana Cláudia Dâmaso
“Até aqui, já tinha percebido, tal como vocês, que provavelmente, a sua cabeça só apagava ou substituía memórias demasiado difíceis de lidar. Cenas que a poderiam traumatizar ainda mais ou enfiá-la nesse buraco profundo que é a depressão... Só que nunca tinha sequer pensado que as memórias se alterassem tão rápido ou fossem trocadas por falsas recordações.”
Ana Cláudia Dâmaso, Não Vales Nada

“O que dizer da dor que não pode ser dita? Sem causa ou natureza definíveis, sem possibilidade de compreensão? Dor do nada, simplesmente do vazio de existir, indescritível, incomensurável, e que, por isso mesmo, chama em vão a palavra? Muitos falaram dela, para dizê-la, traduzi-la ou minorá-la: tristeza, trevas, sombras sem fim, sol negro, nevoeiro, tempestade em céu sereno, certeza infeliz, apatia, acedia, tédio... A melancolia vem de bílis negra, cor terrosa, pacto com Saturno. O desespero da alma encontra refúgio na criação, na permanente procura de sentido. A relação genialidade/melancolia dominou na Antigüidade.
Hoje a melancolia cede terreno à depressão, que implica diminuição, redução e decréscimo. A psiquiatria introduz o uso dessa palavra que melhor se aplica a um estado de doença do que à romântica melancolia. Mas o que de fato define, indica ou revela essa forma de marcar a tristeza? Como transformar em doença a dor de existir?
Muitos que a experimentaram de maneira intensa di-zem-na indescritível, “dor aguda, de ordem não-física, cuja natureza e causa são desconhecidas”, “distúrbio do espírito, misteriosamente recebido, catástrofe”.
Como classificar um sentir que não se descola de quem o sente? Como generalizar a dor de ser que constitui e singulariza?
Mas, verdade seja dita, estamos vivendo a democratização da tristeza em sua dimensão mais aguda. Não é mais uma forma de situar-se no mundo, porém uma característica do homem da atualidade. Globaliza-se um estado d’alma. A depressão é o mal do século.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“Freud, em seu texto magistral O mal-estar na civilização, afirma muito claramente que só podemos desfrutar a felicidade como um “fenômeno episódico”, pois somos limitados em nossa capacidade de senti-la. Entretanto, a infelicidade pode ser experimentada com muita facilidade, pois padecemos permanentemente de três grandes ameaças de sofrimento: nosso próprio corpo, que nos envia sinais de alarme através da dor e da angústia devido a seu inevitável processo de envelhecimento; o mundo externo, que pode nos lançar ataques intensos e destruidores; e, finalmente, o desgosto decorrente de vínculos com os outros seres humanos, que de todos os males é o mais ingrato. Assim, a busca da felicidade acaba por se transformar, apenas, em um esforço para evitar a infelicidade: buscar o isolamento para evitar os conflitos com os semelhantes, tentar proteger-se das intempéries da natureza, procurando agir sobre a própria natureza, e, por último, agir sobre o próprio organismo, quando ele mesmo faz parte dessa natureza.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“A angústia surge quando não há satisfação pulsional por causa do recalque, e a depressão devido ao abandono do objetivo sexual sem que tenha havido satisfação. Tanto uma como outra trazem uma “tendência para negar a vida”. A insatisfação com o objetivo sexual transmite um sentimento de não ser amado, assim como uma incapacidade para amar. Abraham destaca, ainda, um paralelo entre a melancolia e a neurose obsessiva grave, decorrente de uma impossibilidade de desenvolvimento normal da libido pelo constante choque entre amor e ódio.
Havendo um predomínio da tendência hostil em relação ao mundo, conseqüentemente há uma redução da capacidade de amar. O recalque do componente sádico produz uma incerteza nas relações afetivas, auto-acusações e aumento das tendências masoquistas. Quanto mais intensos são os sentimentos de ódio inconscientes, maior a ten-dência para as idéias delirantes de culpa e o sentimento depressivo. Assumindo uma posição passiva, o paciente acaba por obter prazer de seu sofrimento. É, contudo, importante assinalar a ênfase atribuída à diferença entre a depressão neurótica e o afeto de pesar e luto. A melancolia traz uma fonte de prazer oculta.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“Lacan destaca que é importante fazer a distinção entre a imagem narcísica i(a) e o que se desprende em sua própria constituição, a, já que este último está sempre velado, mascarado atrás do primeiro. Para ele, o melancólico necessita passar através de sua própria imagem para atingir esse objeto que o transcende e para dar-se conta de que sua queixa de ser nada em verdade não se dirige à sua imagem especular, ou seja, não é uma queixa de má aparência, porém de “ser o último dos últimos”. E não apenas de “ser”, mas também de “ter”, na medida em que a auto-acusação implica o ter sido arruinado. Lacan fala, ainda, em suicídio do objeto. Ele aponta que o objeto se constituiu, mas que por alguma razão desapareceu. Em suas auto-acusações, o melancólico está inteiramente no simbólico, assinala ele no seminário A transferência.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“No século XIX, o ópio, o haxixe e a cocaína eram considerados verdadeiros antídotos contra o mal-estar da modernidade. Propiciando um bem-estar, favoreciam vínculos sociais mais prazerosos e atenuavam o excesso de individualidade, reduzindo, por outro lado, a solidão, a infelicidade e o sentimento de desamparo.
Entre essas drogas, o ópio se destacava pela sua ação antidepressiva. Transmitia energia sem ser estimulante e, por outro lado, acalmava os agitados. Para alguns pesquisadores da psicofarmacologia, representava um verdadeiro modelo na procura de um antidepressivo, e ainda hoje muitos melancólicos apresentam uma resposta especialmente favorável aos opiáceos.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“Na procura de estabelecer uma distinção entre melancolia e depressão, Marie-Claude Lambotte assinala que, enquanto o deprimido é capaz de delimitar a origem de seu mal-estar e esboçar tentativas de superação, o melancólico sente-se preso à fatalidade de um destino frente ao qual nada pode ser feito. O deprimido mantém vínculos afetivos, ainda que sustentados pela queixa e pela agressividade; o melancólico se isola, fecha-se em um mutismo, resignado, pois para ele “não há salvação”. Assim, queixa e resignação podem marcar uma diferença a ser considerada.”
Urania Tourinho Peres, Depressão e melancolia (PAP - Psicanálise)

“Em seu texto Inibição, sintoma e angústia (1926), Freud observa que os estados depressivos se manifestam através de uma inibição generalizada. Estabelece uma diferenciação entre a inibição e o sintoma, uma vez que, na inibição, ocorrem limitações, restrições nas funções do eu, sobretudo em relação ao trabalho e ao amor. O sintoma, por sua vez, aparece como indício, substituto de uma satisfação pulsional que foi recalcada. No caso das inibições, Freud nos diz, “o eu renuncia a essas operações a fim de não entrar em conflito com o supereu” (p. 86). Podemos resgatar essa diferenciação privilegiando, no primeiro momento, o quadro de inibição apresentado pelos pacientes deprimidos. E concordamos igualmente com a idéia de que o conflito com freqüência não aparece logo, está como que adiado, encoberto por essa bruma de apatia e desvalorização que tomam a frente, paralisando ações e iniciativas e distanciando o sujeito de qualquer implicação com o seu desejo.
Se, como observou Ehrenberg, o conflito trazia inquietação e, de alguma maneira, impulsionava o sujeito ao movimento, o distanciamento do conflito está longe de apaziguá-lo. Na condição depressiva, é invadido por sentimentos de derrota, abandono e culpa. Se o desejo faz sempre um apontamento à falta, elemento indispensável ao movimento de busca, na condição depressiva que lhe é antagônica o sujeito fica referido ao lugar da falta em sua face dolorosa: paralisado, sem ânimo e sem esperança para realizar esse movimento.”
Sandra Edler, Luto e Melancolia - À sombra do espetáculo

Chuck Palahniuk
“Em uma linha de tempo suficientemente longa, a taxa de sobrevivência para todos cai para zero.”
Chuck Palahniuk, Fight Club

Chuck Palahniuk
“Como tudo o que você ama irá rejeitá-lo ou morrer. Tudo o que você criar será jogado fora. Tudo de que você se orgulha acabará como lixo.”
Chuck Palahniuk, Fight Club

Juan-David Nasio
“Ouvindo-as, ficava impressionado ao constatar que muitas se mostravam particularmente amarguradas. Claro, estavam deprimidas e tristes, mas era uma tristeza rancorosa. Na época eu não me detinha nessa raiva, embora ela fosse tão evidente. Só muito depois me dei conta de que por trás da camada de tristeza transparecia raiva, rancor e ódio. Compreendi que, para tratar a depressão, é preciso fazer o analisando reconhecer seu ressentimento em relação àquele que o teria traído, muitas vezes um parente ou um amigo. É um ódio que o paciente acaba voltando contra si mesmo, a ponto de se deprimir: ódio ao outro, ódio a si mesmo.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“A propósito do suicídio, sabemos que há variantes, e cada qual é a culminância trágica de uma doença singular. Um histérico não se mata da mesma maneira que um esquizofrênico, e um esquizofrênico não se mata da mesma maneira que um melancólico. No momento de se suicidar, o homem ou a mulher, qualquer que seja a patologia, é dominado por uma fantasia que o leva irresistivelmente a dar realidade ao ato que lhe será fatal. Só existe suicídio gerado por uma fantasia. A pessoa que se mata está sempre envolvida por um sonho. Por isso é que, quando estiverem diante de um paciente com ideias suicidas, vocês devem encontrar nele a fantasia capaz de provocar a passagem ao ato. Enquanto o histérico toma medicamentos não para morrer, mas para dormir eternamente, o esquizofrênico não se atira da janela para morrer, tampouco, mas para deixar o próprio corpo, para fazer com que as vozes que o torturam se calem para sempre. Não! Nem o histérico nem o esquizofrênico querem morrer: eles querem matar neles mesmos o mal que os impede de viver, e, ao matá-lo, se matam sem realmente desejá-lo. Deixar o mundo ou deixar o próprio corpo, são estas suas funestas fantasias. O melancólico, pelo contrário, quer morrer, faz questão de morrer, faz absoluta questão de se aniquilar para livrar a Terra de seu maldito ser. “Não presto para nada”, pensa, “sou um verdadeiro lixo no universo da humanidade e preciso me aniquilar, desaparecer!” Incontestavelmente, o suicídio melancólico é o mais selvagem e cruel que eu conheço.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“O homem, por natureza um ser de ilusão e sonhos, não pode deixar de encontrar a desilusão em seu confronto com a dura realidade e de se deprimir facilmente. É no abuso do sonho, ou melhor, é no abuso do sonho de uma felicidade absoluta, ou seja, na embriaguez de correr atrás da ilusão infantil de se tornar um dia um ser perfeito cumulado de amor, é nessa embriaguez que está a raiz da depressão. Ao querer demais o absoluto, encontramos sempre a dor da decepção. Quando nossa existência é apenas sonho, todo despertar brutal é uma queda inevitável no desespero. Estou convencido de que o grande número de deprimidos em nossa época corresponde ao grande número de sonhadores que todos tendemos a ser.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“Se pensarmos agora no deprimido, qual seria a ideia que causa sua tristeza doentia? É também a ideia de ter perdido um amor, mas um amor tóxico, um amor fusional. Não há tristeza depressiva que não nasça da perda de um amor fusional. Enquanto a pessoa que sente uma tristeza normal diz a si mesma: “Sinto-me triste porque perdi o que amava e que hoje me faz falta”, a pessoa deprimida diria, “Estou triste, pior, sou pura tristeza. Sinto a tristeza até a medula e a sinto o tempo todo, mesmo quando durmo. Estou triste por ter perdido uma ilusão”, lamenta-se, “a ilusão que me dava forças para ser eu mesmo. Que ilusão? A ilusão de ser amado com um amor fusional que me faz crer que estou absolutamente protegido, que sou absolutamente poderoso ou absolutamente desejável. Ao perder essa ilusão, perdi o essencial, o essencial daquilo que sou, e ao perder o essencial perdi a mim mesmo”.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“A tristeza é o sentimento de uma perda, ao passo que o ódio é o sentimento de uma traição. Na tristeza eu me fecho em mim mesmo; no ódio saio de mim, louco de raiva, para atacar o outro e me consolido. Mas na vivência do deprimido a tristeza e o ódio se misturam num só sentimento: o despeito. O que é o despeito? O despeito é uma mágoa misturada com raiva provocada pelo sentimento de ter sido vítima de uma injustiça, de ter sido ferido no amor-próprio ou ainda de ter sido profundamente decepcionado. No despeito, o ódio se transforma em tristeza e a tristeza é carregada de ódio. Podem entender, então, por que devemos qualificar a tristeza depressiva não apenas como ansiosa e atormentada, mas também como despeitada e carregada de ódio.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“Ora, como se manifesta a hipersensibilidade em nossos pacientes neuróticos? Quando se trata de uma pessoa sofrendo de fobia e que se angustia com o mais breve afastamento do companheiro, podemos dizer que ela teme ser novamente abandonada e reviver o trauma da infância. Quando se trata de uma pessoa que sofre de obsessão e se crispa ante a mais leve crítica do companheiro, podemos dizer que ela teme ser novamente maltratada ou humilhada e reviver o trauma da infância. E quando se trata de uma pessoa que sofre de histeria e fica furiosa com o desprezo do amado, podemos dizer que ela teme ser novamente reduzida a um objeto sexual e reviver o trauma da infância.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“Dirigindo-se ao objeto divinizado, nosso provável deprimido diria: “Eu te amo infinitamente. Não te amo pelo que és, mas porque me fazes acreditar, quando estou contigo, que sou maravilhoso. Se sinto que me amas sem falta — seja verdade ou não, não importa —, imediatamente imagino que um dia serei o mais livre dos homens, o mais admirado ou o mais castamente amado. Se te perco, perco minha ilusão de um eu grandioso. E se perco essa ilusão, não existo mais”.
No narcisismo saudável, eu amo meu eu ideal sem depender totalmente do parceiro. Se meu amado se for ou morrer, ficarei triste mas continuarei a me amar e a amar a vida em mim. No narcisismo doentio, em contrapartida, amo meu eu hiperideal, dependendo totalmente de meu parceiro. Aí está a diferença entre o narcisismo saudável da neurose comum e o narcisismo doentio da neurose pré-depressiva.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

Juan-David Nasio
“Como se recordam, a Privação era: eu não tenho o que normalmente deveria ter; a Frustração: não tenho o que me prometeram; a Humilhação: não tenho mais a minha autoestima porque ela foi achincalhada; e a Castração lança uma coloração de angústia nas três vivências da perda. Na Privação, eu sou amputado de uma parte intrínseca do meu ser; a Privação pertence ao domínio do ser. Na Frustração, não recebi o que me prometeram; a Frustração pertence ao domínio do ter. Quanto à Humilhação, ela também pertence ao domínio do ter, pois não tenho mais o orgulho de ser quem sou.
Uma última observação para sublinhar que, seja qual for o tipo de perda — Privação, Humilhação ou Frustração —, o deprimido sente que aquilo que perdeu é uma parte tão essencial de si mesmo que foi ele quem se perdeu. Para o deprimido, perder uma parte é perder tudo. Assim, na Privação, perder a integridade é perder tudo; na Humilhação, perder o amor-próprio é perder tudo; e na Frustração, perder a confiança é perder tudo.”
Juan-David Nasio, A Depressão é a Perda de uma Ilusão

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