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O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970) O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)
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Marta Silva
Marta Silva is on page 231 of 320
“Jacinta Vau cindiu a sua relação de fidelidade com a patroa depois de um incidente deste tipo: a patroa retirou-lhe as prendas doadas para o enxoval quando a criada lhe comunicou que ia casar sem ter pedido consentimento à patroa para namorar. Jacinta resolveu abandonar a casa nesse dia.”
Jul 07, 2026 02:54PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Marta Silva
Marta Silva is on page 197 of 320
“A padaria, o talho ou a mercearia tornavam-se palco da bisbilhotice, maledicência, denúncia, inveja ou comparação. Mas eram, também, momentos propícios a manifestações de solidariedade a propósito de episódios considerados injustos ou de exploração do trabalho.”
Jun 28, 2026 01:23PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 241 of 320
“O diagnóstico de Aureliano da Fonseca, publicado em 1964 numa Separata de O Médico, confirma que o fenómeno da prostituição na cidade do Porto se encontrava igualmente ligado ao universo do serviço doméstico. Assim, 50 por cento das inquiridas tinham sido serviçais, e muitas admitiram ter começado a servir com pouco mais de I0 anos e, algum tempo depois, passado a viver na rua.”
Jun 28, 2026 09:51AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 238 of 320
“Durante um passeio pelas ruas da cidade de Lisboa, as duas mulheres são interceptadas por um magala que terá perguntado: «Afinal, qual das duas é a criadita?» Humilhada na sua condição de patroa, esta resolve fazer uma demonstração de poder, dando uma bofetada na cara da serviçal.”
Jun 28, 2026 01:59AM 2 comments
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 215 of 320
“É ocioso recomendar que a maneira de tratar os inferiores deve ser ao mesmo tempo afável e digna. Nem a familiaridade que lhes permita o desrespeito, nem a secura e a altivez que lhes autorize o ódio hipocritamente coberto sob as fórmulas de veneração oficial.”
Jun 27, 2026 12:50PM 2 comments
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 211 of 320
“Quando fala com os seus senhores deve ter o cuidado de não empregar termos grosseiros, não falar de costas ou sentada. Lembre-se que está a falar a superiores e que a delicadeza nunca é demais.
Deve falar sempre em voz baixa e submissa, nunca interrompendo os seus senhores.”
Jun 27, 2026 10:47AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 205 of 320
“O que eles comiam não comia a gente. Era tudo por ração. Naquela altura, era o pão escuro, metade para mim, metade para a Prazeres, que era a cozinheira, era manteiga. Dividia a manteiga, metade para mim, metade para a outra, mas a gente desenrascava-se, sim, a gente desenrascava-se, a gente não passava fome.”
Jun 27, 2026 10:27AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 90 of 320
o trabalho doméstico pressupunha uma disponibilidade para trabalhar sem intervalos. No artigo «Deveres das Criadas», fica expressa uma atitude de permanente combate à ociosidade, a bem da prestação do serviço à família.(...)
No imaginário de antigas criadas de servir, a instrução não surge imediatamente associada a um bem social. A capacidade de ler e escrever é rara ou resulta de um certo autodidactismo(...)
Jun 25, 2026 04:48AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
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A desobediência das serviçais…
Jun 21, 2026 03:10PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 82 of 320
Migra-se por determinação da família ascendente, que projecta nos filhos uma hipótese de ascensão social.
Jun 21, 2026 06:26AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 76 of 320
No período do Estado Novo,agudiza-se a representação social das serviçais domésticas enquanto sujeitos imorais e incompetentes.Estas trabalhadoras são representadas como«anjos caídos»,seres infantis,idealizados como mulheres de campo q chegam plenas de inocência(.)A produção de estigma era ainda agravada pela crescente feminização da classe servil e a consequente associação a comportamentos sexuais e sociais ilícitos
Jun 21, 2026 04:21AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 75 of 320
Portugal era um território onde as criadas e os caseiros eram ainda numerosos e onde múltiplas formas linguísticas e de deferência mascaravam e dissimulavam uma opressão. Entravam em Lisboa pela estação de Santa Apolónia(...) Chegavam à cidade e ocupavam o seu centro nevrálgico, em casas de famílias, em prédios ainda desenhados para as albergar de forma permanente.
Jun 21, 2026 04:07AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Marta Silva
Marta Silva is on page 167 of 320
“No plano da ficção, a ideia da criada de servir como indivíduo subversivo é um dos traços que autores dos mais variados campos acentuaram e caricaturaram, esboçando assim um retrato socialmente construído da grande aspiração da classe servil, a qual levaria criadas a matar, ludibriar, esconder e maltratar, sempre movidas pela vingança das diferenças formas de subjugação a que foram sujeitas.”
Jun 21, 2026 01:15AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 148 of 320
“De preferência, acolhiam-se as raparigas muito novas, para permitir que a socialização familiar acompanhasse a socialização para o trabalho, numa fusão mais controlada e fiel. Isto é, quanto mais precoce a inclusão na família, melhores as perspectivas de conformidade.”
Jun 20, 2026 11:13AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 138 of 320
“Ao serviço do comunismo — esse «diabólico decálogo» — estaria o culto do nu, a redução das indumentárias, a licenciosidade das conversas, as liberdades dos costumes, os bailes repetidos, a promiscuidade dos sexos e outras práticas.
As criadas (…) seriam vítimas fáceis do comunismo (…)”.
Jun 20, 2026 10:33AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 122 of 320
«as criadas são guardas e defensoras da saúde como podem ser portadoras da morte»
Jun 18, 2026 02:43PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 72 of 320
...trazer para a aldeia novas formas de vestir e de se apresentar favorecia aquilo que era percebido pelas serviçais como sinal de inveja e ressentimento social.(...) Estes sinais marcavam uma desigualdade perante mulheres e homens com quem tinham vivido experiências de enorme privação.
Jun 13, 2026 08:54AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 71 of 320
Quando uma criada de serviço doméstico regressava à aldeia, podia gerar-se uma certa tensão social. O uso do lenço de seda, do tailleur, o próprio calçado ou a posse de uma mala para guardar objectos de uso pessoal sinalizava para a comunidade de origem a eviência de uma ascensão e urbanização.
Na cidade, a condição subordinada das serviçais era reconhecida pelo uso de farda, pela sua maneira de falar (...)
Jun 13, 2026 08:47AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 70 of 320
... às vezes comíamos batatas, porque era tirar um bocadinho do caldo da sopa, umas gotinhas de azeite e toda a gente molhava ali as batatas!(...)

Os regimes alimentares das populações mais desfavorecidas eram de composição nutritiva muito limitada: couves e feijão para o caldo, trigo em grão para moer, batatas, raramente bacalhau ou sardinhas (...) raramente açúcar, escasso acesso a peças de fruta (...)
Jun 13, 2026 06:30AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 67 of 320
Do ponto de vista do acesso à informação sobre o mundo, nas aldeias tinha-se uma noção muito frágil da situação política do país.O conhecimento das coisas era passado oralmente. As viagens realizadas a Lisboa eram motivadas por situações relacionadas com doença e morte. As chegadas de comboio representavam momentos fundamentais para o alargamento de perspectiva, ainda que penalizadas por diferimento no tempo.
Jun 12, 2026 03:27PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 58 of 320
Vem a talho de foice citar a crítica de Alfredo Margarido à elevação de Monsanto a "aldeia mais portuguesa de Portugal".(.)Sobre a aldeia de Monsanto, Alfredo Margarido escrevia que "essa era a aldeia mais atrasada do país, bivacada sob as pedras escuras da serra, povoada por mulheres e homens fuliginosos, esquecidos pelas escolas, pelos transportes, pela higiene, pela água canalizada, pela farmácia, pelo médico (..)
Jun 12, 2026 09:26AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Marta Silva
Marta Silva is on page 131 of 320
“As serviçais saíam à rua sem elegância, descuidando a simetria das formas e garrindo as cores. Uma desobediência, portanto, em termos de representação de um sujeito que se pretendia recatado, oculto, submisso, apagado, num lugar fechado.”
Jun 11, 2026 02:44PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Ricardo Silvestre
Ricardo Silvestre is on page 100 of 320
“O hábito de contratação de preceptoras estrangeiras é visível nas páginas de anúncios dos jornais diários da época, de que são exemplo O Século ou o Diário de Notícias. Porém, o mercado de procura de preceptoras era residual em face da procura de «criadas para todo o serviço» (ou «criadas de fora»).
Jun 11, 2026 12:22PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 56 of 320
A obediência é mais eficaz graças ao pré -conhecimento de dependência entre pais e patrões. Sempre que é necessário punir ou reprimir a serviçal por desobediência ou insolência, a negociação faz-se entre patrões e pais, regressando ã terra de origem para estipular a permanência, ou não, da serviçal na casa onde estava colocada
Jun 07, 2026 12:34PM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 54 of 320
O governo de Salazar estava preocupado com o problema resultante do afluxo de trabalhadores e consequente desequilíbrio no mercado de procura e oferta de emprego. Para evitar a desregulamentação, impunha-se controlar a mobilidade interna.
Jun 07, 2026 09:39AM Add a comment
O Tempo das Criadas: A Condição Servil em Portugal (1940-1970)

Leonor
Leonor is on page 53 of 320
O trabalho agrícola não permitia mais que a reprodução ou mesmo degradação da sua condição social. Quanto ao pastoreio, a obrigação de pernoitar a céu aberto nos meses de chuva e de frio intensificava a necessidade de migrar.(...)

Íamos sempre através de uma pessoa que já lá estivesse a servir, que arranjasse uma nova para ir para tal pessoa. Nunca era assim...às escuras.
Jun 07, 2026 09:31AM Add a comment
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